
Em janeiro de 2007, Toco Lenzi empreendeu a segunda etapa da travessia. Desta vez, foi preciso improvisar uma nova forma de enfrentar o deserto.
O percurso entre Atar e Bir Mogrhein é repleto de dunas, algumas delas quase instransponíveis. E de minas terrestres, herança de antigos conflitos. O riquixá quebraria na primeira delas. E para vencê-las sem explodir com uma mina era necessário conhecer o terreno.
Para seguir caminhando, Toco precisaria de dromedários capazes de carregar barraca, comida e água. E dromedários são animais resistentes, mas de gênio difícil. Toco improvisou uma equipe inusitada: o guia, Saleh, é um ex-guerrilheiro da Frente Polisário, treinado em Cuba; o cozinheiro, Salem, foi escravo; e o cameleiro, Ali Salem, o mais velho deles, ganhou a vida nas antigas caravanas.
Com esses três homens, de mundos diferentes, donos de experiências extraordinárias, Toco empreendeu uma travessia difícil. Ficaram juntos por 35 dias e 630 quilômetros – e juntos venceram uma das terríveis tempestades do deserto.
Um ex-guerrilheiro, um ex-escravo, um cameleiro nômade e
um aventureiro brasileiro formavam uma imagem no deserto
que poderia ser interpretada como miragem.
De culturas diversas, não tiveram choques, mas encontros. Uma experiência que se tornou única na vida de cada um deles. E liderando esse grupo improvável, Toco Lenzi alcançou a fronteira da Argélia.
|
| A Segunda Etapa |
Atar - Bir Moghrein
 |