
Toco Lenzi conheceu o Saara em 1992 quando cruzou uma parte da Argélia com um carro a vela, sozinho. O país estava em guerra. Toco trocava latas de cerveja por gasolina para seguir em frente. Dormiu ao lado de minas terrestres. Percorreu 500 quilômetros em zona de conflito. Prometeu que um dia voltaria, mas para atravessar aquele mar de areia a pé.
Esse dia chegou, 14 anos depois, em janeiro de 2006. Com quase 100 expedições no currículo, Toco estava preparado para empreender, sozinho,
a mais difícil travessia de sua vida. |
| A Primeira Etapa |
Atar - Nouakchott
Desembarcou na Mauritânia com baterias e equipamentos de captação de energia solar, um laptop, máquinas fotográficas, filmadora, rodas de bicicleta e um estranho meio de transporte: um riquixá. Construído no Brasil, ele era mais parecido com um carrinho de papeleiro do que com os tradicionais veículos orientais. Essa foi a forma encontrada por Toco para viajar pelo deserto. Ele carregaria barraca, água e comida Saara adentro.
Eliane Brum, uma das mais premiadas jornalistas brasileiras, acompanhou os preparativos da viagem e a primeira semana de travessia para escrever um livro sobre a aventura. |