| COMO MONTAR UM ROTEIRO DE VIAGEM |
Da Mauritânia e as cidades sagradas do Islã
Aos 25 anos, em sua segunda expedição pela África, Toco Lenzi e a equipe que o acompanhava pararam o trajeto pelo Saara no meio: uma placa fincada na areia, no coração da Argélia, indicava que dali para frente o perigo era por conta do viajante, tão arriscado era o trecho. O grupo desistiu, mas Toco prometeu que voltaria.
Quinze anos e seis viagens à Africa depois, ele retornou ao deserto. Dessa vez para cruza-lo da Mauritânia a Tunísia: um projeto que iniciou em 2006 e seguirá, em etapas, até 2014, cruzando a pé os cerca de 5 mil quilômetros do Saara.
Foi nessa expedição que conheceu Chinguetti, centro comercial da Mauritânia, uma das cidades sagradas que integrou a rota de Maomé para Meca e, além disso, um oásis que forma uma das mais belas paisagens do Saara.
Ainda em 2006, no início da viagem, Toco teve a ideia de transformar o destino em roteiro turístico, destinado a brasileiros que sempre tiveram vontade e nenhuma oportunidade de fazer esse tipo de aventura: atravessar o Saara a pé.
O roteiro consiste em quinze dias cruzando 200 quilômetros do deserto, passando por Ouadane e Chinguetti até o oásis de Tergit. Em 2008, levou o primeiro grupo, formado por 15 pessoas, desde uma professora de pilates e um diretor de cinema até um corretor de imóveis e um delegado da Policia Federal.
Nessa palestra, Toco explica aos jovens profissionais como e por onde começar um roteiro de aventura radical, que cuidados e preocupações tomar, e para quais dificuldades estar preparado.
- Como traçar um roteiro de turismo de aventura - ou de como estar sozinho no deserto e ter um insight;
- Como fazer contatos com operadores locais - ou de como distinguir um oportunista de alguém confiável;
- Avaliação de riscos da região - ou de como evitar fadiga, insolação e picada de cobra em um passeio pelo deserto;
- Mapeamento de doenças locais e estrutura hospitalar - ou lembrar que as enfermidades, remédios e tratamentos lá podem ser diferentes dos daqui;
- Seleção da equipe de apoio e do grupo de viajantes - ou de um vídeo com desmaios, moscas e cabras sendo degoladas que deve ser mostrado antes dos interessados fecharem o pacote;
- Logística em campo - ou o que fazer com as malas e a inutilidade de um secador de cabelo;
- Como lidar com diferentes pessoas durante a viagem - ou o que fazer com crises desde desidratação até um possível ataque de pânico;
- O que é preciso constar no contrato da viagem - ou a quem cabe assumir determinados riscos.
Nada de apresentações de PowerPoint em uma palestra de Toco Lenzi. O viajante ilustra suas histórias com vídeos e seu farto acervo de fotos desta e das mais de 100 viagens igualmente inóspitas que já fez em trinta de seus 43 anos de vida.
No caso de apresentação em ambientes escolares, o palestrante se disponibiliza e recomenda uma conversa prévia com os professores acerca do conteúdo a ser abordado.
Antes de ser cinegrafista e sócio-fundador da Expedição Filmes - uma das únicas produtoras do Brasil especializadas em vídeos de aventura - Antônio Carlos Lenzi, ou só Toco, exerceu diversas atividades. Foi massagista, professor de paraquedismo, professor de educação física, vendedor de camiseta, dono de choperia, motorista de gogo girl e qualquer outra coisa que pudesse fazer para continuar bancando suas viagens pelo mundo - seu verdadeiro ofício e atividade que exerce desde os 13 anos, quando sumiu de sua casa, em São Paulo, para ir de carona até o Mato Grosso.
Hoje, quase não tem casa fixa - se reveza entre São Paulo, Florianópolis e uma cabana na Serra da Bocaina sem luz e com acesso apenas de mula - e acumula mais de 100 viagens, 70 países e cinco continentes em seu currículo.
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