| SOBREVIVENDO EM EQUIPE |
Da Antártica e do Saara.
Em 2004, Toco Lenzi participou da primeira equipe, capitaneada por Amyr Klink, a dar a volta ao mundo sem escalas - um percurso de 120 dias feito ao redor da Antártica, região onde se formam as piores tempestades da Terra. Confinada este tempo todo aos limites da embarcação, a equipe de cinco integrantes naturalmente se desgastou, e foi Toco - contratado para ser apenas o cinegrafista - que acabou se tornando o ponto de equilíbrio do barco. A “turbulência” foi tão exaustiva que o cinegrafista saiu do gelo e partiu para o deserto. A pé. “Eu me estressei tanto que precisava de um tempo sozinho”, conta. E sozinho foi para o Saara, em um projeto pessoal de cruzar os 5 mil quilômetros do deserto africano caminhando. A primeira parte da viagem foi acompanhado apenas de uma charrete com utensílios básicos. Depois tornou-se um rico trabalho em equipe, em que Toco se uniu a nativos para tornar viável as partes seguintes do percurso.
O foco de Toco não e falar sobre o ambiente empresarial, mas sim de situações que estão presentes em todos os meios. A partir de suas experiência em locais extremos, Toco fala sobre as dificuldades - e soluções - para (sobre)viver em grupo.
Da Antártica
- Preparação para um projeto em tempo exíguo - ou de como estar no Mato Grosso na segunda-feira e ser chamado para uma volta ao mundo no domingo;
- Conhecendo a equipe e adaptação ao grupo - o cinegrafista encontra um mecânico, um cozinheiro, um marinheiro e um capitão em um barco de 35 metros;
- Demonstrar a confiança que delegaram a você - ou de como não sucumbir à vontade de desistir no meio do oceano;
- Como lidar com tarefas que não estavam previstas - ou de até onde as coisas podem chegar depois de 119 dias;
- Reconhecer o potencial e os limites de cada um - idem;
- Saber lidar com o inesperado papel de referência - ou acabar a noite de um dia cheio lendo a Bíblia para o colega
Do Saara
- De onde surge uma idéia - ou necessidade de fugir do caos
- Como faze-la real - ou ser o único que acredita nela
- Criação e elaboração de um projeto pessoal - ou a certeza quase espiritual de ter que ir para o Saara
- Busca pela equipe ideal - ou de como achar um guerrilheiro, um cozinheiro e um cameleiro no deserto
- Atividades de entretenimento para espairecer - ou de como um beduíno assistiu TV pela primeira vez depois de caminhar 25 quilômetros sob um sol de 45 graus.
Uma palestra de Toco Lenzi troca as apresentações em PowerPoint por vídeos de suas aventuras, um extenso acervo de fotos e muita história. Caso a empresa tenha interesse , o aventureiro ainda pode dispor nas apresentações de objetos utilizados em algumas de suas mais de 100 viagens, desde a primeira bicicleta que usou para cruzar a África até a charrete que improvisou para a expedição de travessia do Saara a pé.
Antes de ser cinegrafista e sócio-fundador da Expedição Filmes - uma das únicas produtoras especializadas em vídeos de aventura do Brasil - Antônio Carlos Lenzi, ou só Toco, exerceu diversas atividades. Foi massagista, professor de pára-quedismo, professor de educação física, vendedor de camiseta, dono de choperia, motorista de gogo girl e qualquer outra coisa que pudesse fazer para continuar bancando suas viagens pelo mundo - seu verdadeiro ofício e atividade que exerce desde os 13 anos, quando sumiu de sua casa, em São Paulo, para ir de carona até o Mato Grosso.
Hoje, quase não tem casa fixa - se reveza entre São Paulo, Florianópolis e uma cabana na Serra da Bocaina sem luz e com acesso apenas de mula - e acumula mais de 100 viagens, 70 países e cinco continentes em seu currículo.
Toco não se imagina jamais inserido na rotina cotidiana de uma empresa. Mas, mesmo assim, sabe que tem muito a ensinar a ela.
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