| Pedalando na África- 1988 |
Sem patrocínio para o Projeto África, no qual, ao lado do amigo Paulinho percorreria 16 países de moto, Toco vendeu sua Teneré e comprou uma bicicleta.
Queria fazer valer o Projeto, nem que fosse sozinho, pedalando e passando por menos países. Viu uma matéria sobre brasileiros que viajaram de bike para a Patagônia. Entrou em contato com os aventureiros, que riram da recém-adquirida “magrela”. Toco, então, comprou a bike (moderníssima) de um deles e, da noite para o dia, tinha os melhores equipamentos para sua empreitada.
Pegou um navio cargueiro e foi para a Itália, de onde partiria para a Nigéria. A bordo do transatlântico Reppublica de Venezia, maior rol-rol da época, pedalava, contemplava o horizonte e fazia amizades. Foi aí que conheceu o diretor de cinema Alain Fresnot (Lua Cheia, Desmundo, Ed Mort entre outros).
Ao desembarcar em Livorno, descobriu que os 1.500 dólares que tinha guardado não dariam para continuar a viagem. Para juntar mais dinheiro, trabalhou em Roma, limpando casas inundadas. Quem arrumou o bico foi Giacomo, empreiteiro e então namorado da amiga Ana Rosa, onde Toco ficou hospedado enquanto levantava a grana. Depois de uma semana, conseguiu comprar a passagem.
Parou na Bulgária para fazer conexão, mas o vôo estava atrasado por causa do mau tempo. Conclusão: perdeu a conexão e se viu num país onde ninguém falava inglês e onde não tinha planejado ficar. Graças a uma amiga angolana que havia conhecido no avião, conseguiu remarcar o vôo. Até lá, ficaria num hotel que não tinha comida. O muro de Berlim havia acabado de cair e a Bulgária estava um caos.
Depois de uma semana passando frio (ninguém leva roupa de inverno para o Saara, certo?), enfim, a África! Desceu na Nigéria, país mais populoso do continente, sentou na bike e foi... A primeira malária e os 2.200 km rodados nos quatro meses de aventura por cinco países (Nigéria, Benin, Togo, Gana e Costa do Marfim) resultaram no livro “Pedalando na África”, da editora FTD.
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