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Fotos: Marcelo Gentil e Duda Zsigmond

| Ligação Flúvio Marítima Brasília/Lisboa - 1999 |

Mergulho em busca de naufrágios de guerra, escalada, viagem de elefante, rappel em cachoeiras até então inexploradas e surf num país que, na época, só tinha dois surfistas. Tudo no Vietnã, recém-aberto ao turismo. Essa tinha sido a última viagem de Toco Lenzi. Mas agora a aventura era, de novo, pelo mar. A convite do capitão Eduardo Meurer, com quem havia atravessado o Atlântico pela primeira vez, Toco partiu para mais uma empreitada inédita: ligar as capitais Brasília e Lisboa viajando por água.

O projeto, idealizado pelos brasilenses Gomes e Merino, fazia parte da comemoração dos 500 anos do Brasil e tinha patrocínio da Embratel. Toco acompanhou a dupla, saindo de Brasília, pelo rio Preto, pegando o rio Porecatu, cruzando o rio São Francisco até Alagoas. De lá, embarcou pela segunda vez na lendária escuna Don Silvano. O projeto sofrera uma inesperada reviravolta da economia brasileira: a paridade do dólar ia de “1 para 1” para “2 para 2”. Os aventureiros tinham nada mais do que a metade do dinheiro fechado no patrocínio, o que, financeiramente significava que simplesmente saíram de viagem já sem dinheiro para completar a travessia.

Toco investiu toda sua parte comprando redes, que, ao longo da viagem, foram vendidas pra levantar dinheiro. Ao lado dos companheiros de aventura Marcelo Gentil e Duda Zsgimond, trabalhou como jardineiro, vendeu equipamento de mergulho e, claro, contou com a simpatia e ajuda da população que encontrava ao longo do percurso. Contra a corrente e a maré, a lendária Don Silvano (que já tinha tido melhores dias) quebrou em Fernando de Noronha, Cabo Verde, Ilhas Canárias, Ilha da Madeira e sabe-se lá quantas vezes mais.

A viagem, programada para durar 60 dias, levou seis meses – o dobro de tempo que levou Cabral. Apesar de toda dificuldade, falta de equipamento e tecnologia a equipe seguiu unida, sem brigas a bordo. Numa roubada total, mas, acima de tudo, sob a liderança do capitão Edu. Com ele, Toco aprendeu que o caráter do líder é definitivo para atingir com sucesso um objetivo em equipe.



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